As relações de trabalho, a maneira como são consumidos os produtos e serviços, o acesso à informação: muitas coisas mudaram com o advento da era pós-moderna em que estamos inseridos, abrindo espaço para que surgisse, por exemplo, um novo estilo de trabalho e moradia, chamados coworking e coliving respectivamente.

A ideia de ambos é inserir uma nova modalidade relacional entre pessoas, tanto no ambiente profissional quanto fora dele. A seguir, explicaremos melhor como funciona o coworking e coliving além de mostrar alguns cases de empresas que já utilizam tais tendências mundiais em seu dia a dia.

Coworking: o compartilhamento do espaço de trabalho

O coworking é definido como o compartilhamento de espaços de trabalho e recursos para mantê-lo entre profissionais e/ou empresas distintas. Podemos destacar que ele é uma evolução na forma de pensar o ambiente de trabalho. Segundo o site Coworking Brasil, hoje, existem mais 100 espaços do tipo no país. Ele segue uma tendência mundial que é a presença cada vez maior de profissionais freelancers, mas também a inserção de startups no mercado.

Tais empresas apresentaram uma demanda por um espaço para manter operações sem que, para isso, fosse necessário arcar com um aluguel exclusivo, onerando o orçamento. Então elas viram no coworking a chance de atuar em um ambiente plural, facilitando as trocas entre profissionais, o famoso networking.

Com isso, o ambiente inspirador promovido pelas trocas ajudou a tornar o espaço não só mais democrático, mas também rico em experiências, devido ao contato com profissionais de áreas distintas, mas que se complementam.

Coliving: um novo jeito de morar

O conceito de coliving está diretamente atrelado ao que conhecemos como economia compartilhada. Logo, podemos defini-lo como o compartilhamento de moradias. Mas não se engane. O coliving não tem uma proposta de uma república estudantil ou mesmo de um pensionato. Apesar de bem próximos, esse modelo de moradia apresenta alguns diferenciais.

Ele também visa a aproximação das pessoas e a troca de experiências, com um consumo voltado à colaboração, economia dos recursos naturais e alguns espaços individuais, como quartos.

De acordo com o Coliving.org, a proposta é criar um ambiente residencial inspirador e que empodere os moradores a serem criadores e participantes do mundo à sua volta. Tal modelo de moradia busca a promoção da sustentabilidade e o uso consciente de recursos, como água, energia e outros.

Coworking e coliving: o futuro do compartilhamento

O coworking e coliving surgiram como uma forma econômica de trabalhar, mas também de viver, visto que não é preciso adquirir uma área específica para isso. Ambos representam uma tendência que tem crescido nos últimos anos: a economia compartilhada. Ela permite que as pessoas mantenham o mesmo estilo de vida sem que, para isso, seja preciso comprar mais. Portanto, o advento de ambos vem para redesenhar as interações entre as pessoas.

A sociedade individualizada, com pessoas que focam apenas nas suas necessidades, tem perdido espaço. Afinal, mesmo desconhecidos têm interesses comuns e afinidades que podem ser usadas para o bem coletivo. Não podemos deixar de destacar o crescimento do nomadismo digital, com pessoas que viajam ou mudam de lugar constantemente, mas precisam de um espaço para trabalhar e também para viver, mesmo que seja por um curto espaço de tempo.

Cases de sucesso: moradia e espaço de trabalho compartilhados

O número de locais que oferecem moradia e espaço de trabalho compartilhados tem crescido. Tal como mostramos, só no Brasil existem mais de 100 locais do tipo. Se considerarmos o mundo, mais de 4 mil espaços estão disponíveis segundo a mesma pesquisa. Mas quais são os cases de sucesso nesse sentido? Confira mais sobre eles a seguir!

Campus São Paulo, coworking do Google

O Google mantém em diferentes partes do mundo os chamados “campus”, que são espaços de coworking gratuitos voltados tanto para startups quanto para pessoas que se interessam em trocar experiências com essas novas empresas. Para fazer parte, é preciso se inscrever como membro. A partir do momento em que a pessoa é aceita, ela pode usar gratuitamente o espaço, além do Wi-Fi em alta velocidade em um ambiente altamente inovador.

Para se ter uma ideia do sucesso, apenas em 2017 o Campus São Paulo gerou mais de 1630 empregos por meio das startups que fazem parte de seu ecossistema. Desde a sua inauguração em 2016, essas mesmas empresas levantaram mais de R$ 525 milhões em investimentos. Além disso, em 2017, 387 eventos gratuitos foram promovidos no espaço pelas startups.  

Os números fornecidos pelo próprio Google mostram a abertura do espaço para que as novas empresas possam se desenvolver, criando um ambiente propício para o crescimento das equipes, vide os altos investimentos captados desde a sua fundação, que tem pouco mais de 2 anos.

Mas, não é só isso. O ambiente moderno e informal foi todo construído com materiais recicláveis e de baixo custo, o que confirma a proposta do espaço de ser um local que faz parte da nova onda da economia colaborativa.

WeLive, coliving do WeWork

Voltando agora para o coliving temos o espaço criado pela gigante de escritórios compartilhado WeWork, o WeLive. O local de moradia é disposto tal como os dormitórios universitários. Os moradores compartilham ambientes comuns, como cozinha, sala de mídia, varanda, mas também atividades como happy hour diário e, até mesmo, aulas de ioga.

Por enquanto, existem apenas duas unidades do WeLive no mundo, que estão localizadas nos EUA. Os moradores pagam um valor e têm à disposição um sofá-cama, cobertores e almofadas, além de uma cozinha básica, tudo isso dentro do dormitório.

No entanto, os espaços compartilhados são ainda mais completos e permitem que os moradores possam usufruir do que é oferecido, desde suprimentos até uma loja com vendas de lanches e outras coisas.

Sun and Co., coliving e coworking

O primeiro espaço de coworking e coliving da costa mediterrânea, localizado na Espanha, trouxe uma proposta diferenciada para o público: a possibilidade de trabalhar e morar ou se hospedar no mesmo local ou associar as duas facilidades em um único pacote.

A Sun and Co., empresa que criou o espaço, ainda tem um programa intitulado “community” no qual os participantes podem realizar networking com outros profissionais, bem como ter acesso a atividades diárias gratuitas, bicicletas disponíveis para locomoção, entre outros.

O indivíduo ainda pode escolher como viver: em um quarto individual ou coletivo, o que custa ainda mais barato. A ideia é oferecer facilidades para quem deseja morar bem sem gastar muito. Sem contar o espaço de trabalho criativo e com profissionais distintos realizando trocas de conhecimentos diariamente.

A ideia do coworking e coliving pode ser resumida em uma palavra: conexão. Não só de ideias, mas também de atitudes, afinal, a ideia é aproveitar espaços de forma mais sustentável e prática. Mas não é só isso, tais lugares também dão força ao nomadismo digital, nova tendência de trabalho remoto na qual os profissionais podem atuar de qualquer lugar do mundo.

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